Cultura ·
Orum Aiyê: cultura negra reconhecida na cidade
Lei de autoria de Fabrício Rosa reconhece o trabalho do quilombo cultural da Região Norte, onde circo, arte e formação se encontram.

Um cortejo na rua, uma apresentação de circo, uma feira de artistas: a cultura negra ocupa diferentes formas no Orum Aiyê Quilombo Cultural. Na Região Norte de Goiânia, o espaço reúne criação artística, formação e convivência. Essa trajetória recebeu reconhecimento municipal com a Lei 11.528, de autoria de Fabrício Rosa, sancionada em 17 de novembro de 2025.
A lei declara a Associação Orum Aiyê Quilombo Cultural de utilidade pública. Seu texto reconhece expressamente a promoção da cultura afro-brasileira, da equidade racial e dos direitos humanos, além da valorização das expressões culturais periféricas e negras. A proposta havia sido aprovada em segunda votação pela Câmara em 30 de outubro.
A história começa antes desse reconhecimento. Em sua apresentação pública, a associação conta que Raquel Rocha, artista visual, e Marcelo Marques, artista com trajetória no circo, fundaram o espaço com recursos próprios. As atividades tiveram início em 2021, orientadas pelo protagonismo negro na produção cultural e pelo fortalecimento de vínculos por meio da arte.
No portfólio do Orum, palco e rua aparecem como lugares de encontro. O documento registra a produção de Contos de Cativeiro e a realização do Festival de Palhaçaria Preta, com artistas de diferentes estados. Também apresenta exposições, sessões de cinema, saraus e um grupo de leitura apoiado pela Casa Sueli Carneiro. São linguagens distintas dentro de uma construção cultural compartilhada.
O Mercado de Àkesán aproxima essa produção da economia criativa. O acervo registra edições com feira, artes visuais, música e participação de mestres da cultura popular. Entre os encontros de 2023 está a presença de Tião Carvalho, com manifestações como o tambor de crioula e o bumba meu boi. A programação conecta trabalho artístico, circulação de saberes e oportunidades para quem produz cultura.
Essa construção também ganhou as ruas com o Tambores do Orum. Criado em 2023, o bloco realizou seus primeiros cortejos em janeiro de 2024, segundo o portfólio. Percussão, dança, canto e pernas de pau compõem uma expressão pública de referências afro-brasileiras. O espaço associa essas atividades ao enfrentamento do racismo e da intolerância religiosa.
A formação integra o mesmo trabalho. Na apresentação de sua atuação, o Orum descreve aulas de circo, artes visuais e percussão, além de iniciativas para ampliar o acesso do público negro às atividades. Aprender uma linguagem artística e encontrar espaço para apresentá-la fazem parte dessa proposta de participação cultural.
A iniciativa de Fabrício levou essa contribuição ao reconhecimento da cidade em lei. O título de utilidade pública registra o valor social, cultural e educativo da associação. No Orum Aiyê, essa contribuição tem expressão concreta: artistas que criam, pessoas que aprendem e uma produção negra e periférica que encontra público em Goiânia.
Por Equipe do site Fabrício Rosa
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