Cultura ·
Mauricinho Hippie: a cidade reconhece sua liberdade
Por iniciativa de Fabrício, a Câmara concedeu cidadania goianiense póstuma ao artista que marcou as ruas, a cultura e a memória afetiva da capital.

A bicicleta colorida, as roupas inventivas e a arte pelas ruas fizeram de Mauricinho Hippie uma presença na memória de Goiânia. Em abril de 2025, essa história recebeu um reconhecimento da cidade: a Câmara aprovou, por iniciativa de Fabrício Rosa, o título de Cidadão Goianiense póstumo a Maurício Vicente de Oliveira.
A homenagem foi aprovada na sessão de 29 de abril. A ata registra a autoria de Fabrício no Projeto de Decreto Legislativo 107/2024 e a decisão do plenário por maioria qualificada. O título foi formalizado pelo Decreto Legislativo 33/2025, conforme noticiou o Jornal Opção.
No projeto original, Fabrício apresentou a homenagem como reconhecimento à contribuição de Mauricinho para a cultura, a contracultura e os valores de paz e liberdade. A justificativa aproximou a produção artística do modo como ele escolheu viver: música, expressão pessoal e presença pública em uma cidade atravessada pelo conservadorismo.
Nascido em Araguari, em Minas Gerais, Mauricinho construiu sua trajetória em Goiânia. Artista plástico e acordeonista, ficou conhecido pelas performances e por um jeito próprio de ocupar as ruas. É lembrado entre os fundadores da Feira Hippie, espaço que se tornou parte importante da vida cultural e comercial da capital.
Sua memória também vinha sendo reunida em exposições. Em 2023, uma mostra promovida pela Secretaria Municipal de Cultura contou com a presença do artista. No ano seguinte, após sua morte em 10 de novembro, foi anunciada uma edição especial no Museu Frei Confaloni. Fotografias, quadros e objetos pessoais foram os caminhos escolhidos para apresentar sua história ao público.
A homenagem legislativa se somou a esse movimento de preservação. Ao defender o título, Fabrício ressaltou, na justificativa, a autenticidade de Mauricinho e sua importância como símbolo de liberdade e de enfrentamento ao preconceito. O reconhecimento alcançou uma contribuição que ultrapassava o circuito das galerias: o encontro entre arte e vida no espaço da cidade.
A proposta de Fabrício foi apresentada em novembro de 2024 e percorreu a tramitação até ser aprovada no ano seguinte. Transformou em ato público uma escolha de memória: reconhecer um artista que ajudou a fazer Goiânia e que permanece nas lembranças de quem acompanhou suas aparições, sua música e sua irreverência.
Guardar essa história é ampliar quem cabe na memória oficial da capital. O título reconhece a contribuição de Mauricinho sem reduzir sua vida a uma honraria. A cidade já o conhecia pelas ruas; ao aprovar a homenagem, o poder público também abriu espaço para celebrar a liberdade que ele expressou.
Por Equipe do site Fabrício Rosa
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