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Cultura ·

Hip-hop ocupa a Câmara para construir política cultural

Audiência de Fabrício reuniu artistas e articulou um grupo de trabalho por respeito, formação e participação nas decisões da cidade.

Participante da audiência fala ao microfone, acompanhado por outro integrante do encontro
Audiência Hip Hop Não É Bagunça, 7 de julho de 2025. Foto: acervo do mandato (@rubensmarcs).

“Sorrir, dançar, se divertir também é revolução.” A frase de Malik Lion, artista ligado à Batalha da Norocity, resumiu uma das questões levadas à Câmara de Goiânia em 7 de julho de 2025: quem tem o direito de produzir cultura, encontrar seus pares e ocupar uma praça? Na audiência “Hip Hop Não É Bagunça”, proposta por Fabrício Rosa, essa pergunta ganhou as vozes de quem faz o movimento acontecer.

O encontro reuniu diferentes gerações e linguagens do hip-hop. DJ Lu, da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop Goiás, Baiano MC, Sônia Cleide, do Grupo Malunga, e Diogo Procópio, representante da OAB, participaram da mesa, ao lado de Fabrício e da representação municipal de igualdade racial. A abertura também teve a presença da poesia e da música de Fábio Choque. O auditório recebeu experiências que não cabem numa descrição da cultura de rua como problema de ordem pública.

Na audiência, artistas contestaram a associação entre manifestações periféricas e desordem. Relataram dificuldades para realizar batalhas, acessar recursos e ter seus conhecimentos reconhecidos. O debate aproximou essas experiências de questões sobre racismo, liberdade religiosa e o lugar da juventude na cidade. As críticas foram apresentadas por quem vive e organiza essa produção cultural.

DJ Lu destacou a necessidade de aproximar o hip-hop das escolas e universidades e de fortalecer o diálogo entre as gerações. A formação para acessar editais também apareceu como demanda: além de criar, os grupos precisam encontrar condições para apresentar projetos e disputar os mecanismos públicos de incentivo. A discussão tratou os artistas como participantes da construção das políticas, com conhecimentos e propostas próprios.

Ao final, Fabrício propôs um grupo de trabalho com integrantes do movimento e do mandato. A articulação recebeu tarefas concretas: preparar uma conferência popular, buscar diálogo com a Secretaria de Cultura, discutir taxas cobradas para atividades e organizar formação técnica e política. DJ Lu, Baiano e outros participantes passaram a compor o grupo junto com representantes da equipe do vereador.

A audiência também colocou em debate a representação do hip-hop, das religiões de matriz africana e do circo nas instâncias de política cultural. Era uma reivindicação por participação nas decisões sobre recursos, reconhecimento e condições de trabalho. Fabrício assumiu o compromisso de colaborar com essa organização, preservando o protagonismo de quem constrói o movimento nos territórios.

O encaminhamento daquele encontro foi formar uma articulação para transformar as demandas em trabalho continuado. A conferência, a formação e as mudanças nas regras compuseram a agenda de trabalho definida ali. A conquista imediata esteve na escuta pública e na organização compartilhada de uma agenda: quem faz a cultura da cidade também quer decidir sobre o seu futuro.

Por Equipe do site Fabrício Rosa

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